domingo, 15 de maio de 2016

Corpus Christi – Corpo de Cristo: origem, natureza e importância








É INCRÍVEL PENSAR que, mesmo depois de tanto tempo desde a Instituição da Santa Eucaristia na Santa Missa de Lava-pés (A Santa Ceia de Cristo com seus Apóstolos logo antes da Paixão) e mesmo depois de tantos séculos que os Apóstolos, bispos e demais discípulos de Cristo têm fielmente preservado a tradição de fazer aquilo que Jesus pediu como é narrado por São Lucas “...Fazei isto em Minha memória...” (22, 19), muitos ainda desconfiem das palavras do Salvador: “... isto é o MEU CORPO... este Cálice é a Nova Aliança em MEU SANGUE, que é derramado por vós...” (São Lucas 22, 29 – 20).
Nosso Senhor se faz presente na Eucaristia em Corpo, Sangue, Alma e Divindade! Se é que somos cristãos, não podemos duvidar das palavras do próprio Jesus Cristo, que não estava "brincando" quando escandalizou diversos de seus discípulos ao dizer, de modo literal:

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que eu hei de dar, é a MINHA CARNE para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava antes?... O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas há alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. DESDE ENTÃO, MUITOS DOS SEUS DISCÍPULOS SE RETIRARAM E JÁ NÃO ANDAVAM MAIS COM ELE.(Jo 6, 51 - 66)

Sim! A Hóstia Consagrada por um legítimo sacerdote é verdadeiro Corpo e verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu Sua vida por nós na Cruz e ressuscitou no terceiro dia! Porém, como já foi dito acima, são muitas pessoas que pensam a Santa Missa como apenas um evento social, uma reunião festiva de irmãos e nada mais. Pensar desta forma superficial é um erro gravíssimo! Na Santa Missa temos, isto sim, a oportunidade de encontrar Nosso Senhor de forma presencial no Santíssimo Sacramento; temos contato direto com a humanidade de Cristo que, nos toca, e na intimidade da Comunhão, quando recebemos Seu Santo Corpo, podemos dizer que formamos com Cristo um só Corpo durante o tempo que a Hóstia se mantiver em nosso peito, enquanto demorar para ser digerida pelo nosso sistema biológico!
É necessário pensarmos na seriedade das palavras de Cristo, olhando também para as palavras de São Paulo Apóstolo em sua primeira Epístola aos Coríntios:

Assim, todas as vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, lembrais a Morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor indignamente será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que o come e o bebe SEM DISTINGUIR O CORPO DO SENHOR, come e bebe a sua PRÓPRIA CONDENAÇÃO. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos.
(11, 26 - 30)
Cristo quis permanecer conosco sempre, não somente em Espírito, mas também com Sua santa humanidade que toca nossa pobre humanidade e nos transforma, nos santifica, nos alimenta. Eis Suas belas palavras: “Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 26, 20)!

Corpus Christi é uma festa que celebra tudo o que foi afirmado acima, ou seja, que festeja a Presença real e substancial de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, aos católicos é obrigatório o comparecimento na Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor remonta ao Século XIII. A Igreja sentiu a necessidade de realçar e reafirmar solenemente a Presença do "Cristo Todo" no Pão consagrado no Altar, devido à diversas heresias gnósticas e demais pessoas que duvidavam realmente desta santíssima Presença no pão e no vinho. A festa foi então instituída pelo Papa Urbano IV, com a bula "TRANSITURUS DE MUNDO" que pode ser acessada (em latim) neste link.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a Presença real de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo em Roma para pedir o Dom da Fé. Ao passar por Bolsena (Itália), enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido da dúvida. Na hora da Consagração, veio-lhe a resposta na forma de um grandioso Milagre
Eucarístico: a Hóstia branca transformou-se em Carne viva, respingando Sangue, manchando o corporal, os sanguíneos e as toalhas do Altar, sem, no entanto, manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos conservou as características de pão ázimo(!).

Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a Igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. Aos 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.

A tradicional procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo". É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395)”.

Esta é a fé Católica, que recebemos da Igreja, e lutamos por viver conforme Seus ensinamentos. São diversos os casos de Milagres Eucarísticos que comprovam a Presença real do Cristo, Jesus Salvador, na Eucaristia. Um destes aconteceu recentemente, e o Papa Francisco conduziu investigação para comprovar sua veracidade. – Leia aqui um artigo completo sobre este fato, considerado um dos maiores Milagres Eucarísticos da História, ocorrido em Buenos Aires no ano 1996 (com a palestra do investigador Dr. Dr. Ricardo Castañón Gomez).


Conclusões

Sempre que formos comungar, JAMAIS nos aproximemos de Cristo como se fosse alguma coisa comum, um ato corriqueiro, como se estivéssemos partilhando de um pão qualquer, como o que se come em casa todos os dias. Quando estamos diante da Hóstia Consagrada, estamos diante do REI DOS REIS, Nosso Senhor Jesus Cristo. Que possamos ter a fé de São Josemaria Escrivá, que nos ensina: “Quando te aproximes do Sacrário, pensa que Ele... há vinte séculos que te espera” (Caminho, n.537). 

E que também reconheçamos, com o grande escritor J. R. R. Tolkien, que foi um católico exemplar e autor da saga "O Senhor dos Anéis":

Fora da escuridão da minha vida, tão frustrada, eu ponho diante de ti a única grande coisa a amar na face da Terra: O Santíssimo Sacramento.... Lá irás encontrar romance, glória, honra, fidelidade e o verdadeiro caminho de todos os teus amores na Terra, e mais do que isso: Morte. Pelo divino paradoxo, que termina a vida, e exige a rendição de todos, e no entanto, pelo sabor que por si só pode fazer com que aquilo que procuras nas tuas relações terrenas (amor, fidelidade, felicidade) se mantenha, ou tirar a compleição da realidade, da permanência eterna, que todos os corações dos homens desejam.
(Carta 43, acerca do casamento e das relações entre os dois sexos)

Por Felipe Marques – Assoc. São Próspero

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** A seção 'História e origem' contém trechos do artigo 'Corpus Christi – definição e história', website Catolicismo Romano, disp. em:
http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/1249/48/
Acesso 10/4/016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Veneração à Virgem Maria



Católicos realmente adoram Maria como se fosse uma "deusa"? Qual o significado da Teologia Mariana? Tire definitivamente as suas dúvidas..




SE CREMOS que Deus é Pai; se cremos que Jesus é o Cristo, o Ungido, o Filho de Deus, também precisamos respeitar, honrar e amar a mãe de Jesus, a Virgem Maria.

Se cremos que todos os que amaram verdadeiramente a Deus nesta vida estão no Céu, e que aqueles que seguiram Jesus e morreram acreditando nele estão ao seu lado, seria o cúmulo do absurdo supor que a mãe do Cristo aqui na Terra não estivesse junto a Ele no Céu. Maria, ela que, segundo a Bíblia Sagrada, era cheia do Espírito Santo, declarou de si mesma:

“De hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada!” (Lc 1, 48)

Nosso Salvador não salvaria sua própria mãe? Nós, cristãos, cremos que recebemos por Graça o direito e o poder de pedir e interceder junto a Deus. Podemos pedir ao Pai em nome de Jesus, ou falar diretamente a Jesus e pedir que nos conceda suas bençãos. O próprio Senhor Jesus Cristo ensinou isso nos Evangelhos, e que Graça maravilhosa é esta! Não devemos deixar jamais de conversar com nosso Senhor, que, sendo Deus, se fez homem e fraco, por nós. Foi Ele somente quem sofreu as piores dores e deu sua própria vida em sacrifício pela nossa salvação. Jesus é nosso único Senhor, Um com o Pai e o Santo Espírito, nosso único Salvador, e exclusivamente por Ele recebemos a vida eterna. Jesus Cristo também é nosso único Mediador, junto ao Pai, no sentido de nos resgatar do pecado e salvar as nossas almas. Enquanto cristãos, precisamos assumir que é Ele, - e apenas Ele, - que está eternamente no centro da nossa fé, das nossas orações e da nossa salvação.
Esclarecidos esses pontos, nós também cremos que podemos e devemos interceder uns pelos outros, isto é, pedir uns pelos outros junto a Deus, seja na Pessoa do Pai, do Filho ou do Espírito Santo; assim como Maria fez em Caná, pedindo a seu Filho e seu Senhor que ajudasse aqueles noivos. E Ele a atendeu. Cremos que Maria, que é nossa Mãe, nossa irmã e companheira de caminhada, pode pedir também por nós ao seu Filho amado, agora que está com Ele na eternidade, em perfeita Comunhão. Cremos que, no Céu, os santos de Deus estão mais vivos do que nós, aqui na terra, pois alcançaram a vida plena à qual Jesus se referiu (Jo 10, 10), e que podem nos ouvir.
Maria foi a primeira cristã, o perfeito modelo de fé e de confiança em Jesus, testemunha fiel de tudo o que se passou na vida dele, desde antes do nascimento até a Cruz. De Jesus, Maria entende! Não, ela não foi nem é “uma mulher qualquer”, como ouvimos dizer por aí: não foi acidente nem "sorte" a Graça tremenda que aconteceu em sua vida! Não é todo dia que uma virgem recebe o aviso de um anjo, de que será a mãe do Filho de Deus! Não é todo dia que uma mulher fica grávida por obra especialíssima, direta de Deus! Não é "qualquer mulher" que gera e educa alguém como Jesus Cristo, nosso Deus!
É por tudo isso que não é pecado chamar Maria de “Mãe de Deus”. Jesus sendo Deus, e Maria sendo sua mãe, quando a chamamos assim, honramos devotadamente a memória de Maria, mas a Jesus glorificamos, reafirmando todas as vezes que Jesus Cristo é Deus. Quem se nega a dizer que Maria é "Mãe de Deus", renega a divindade de Jesus Cristo. Simples assim.
Assim como está escrito, Maria foi escolhida desde o princípio dos tempos, porque o Sopro de Deus pairou de maneira especial sobre ela. A Vida que nela foi gerada era nada menos que a Vida do próprio Autor da Vida! Como podem alguns se negar a honrar Maria? Como podem se negar a lhe proclamar Bem-Aventurada e Cheia de Graça?
Podemos imaginar os risos, as brincadeiras, as lágrimas, as preocupações que ela teve com seu Filho Divino, o dia-a-dia ao lado do Senhor... Ninguém teve maior escola de espiritualidade que Maria! Nem mesmo os Apóstolos, que tiveram apenas três anos para aprender com Cristo: Maria teve trinta e três anos e nove meses! Se acreditamos na palavra e na santidade dos Apóstolos, que foram os autores da Bíblia, como duvidar de Maria, a mãe do Senhor? Se ela tivesse escrito um Evangelho, seria sem nenhuma dúvida o mais digno de crédito; porque ela esteve lá, junto até o último momento, e continuou com os discípulos depois da crucificação, integrando a Igreja que nascia. Aliás, no momento da crucificação, quando os Apóstolos fugiram, quem continuou ao lado do Senhor? Ela mesma... E os Apóstolos a ouviam. Muita coisa Maria deve ter lhes contado, muitos detalhes sobre a vida do Senhor. Senão, como eles poderiam saber, para escrever os Evangelhos? Maria foi a melhor testemunha do que realmente aconteceu com Jesus. Ninguém, absolutamente ninguém em toda a História, viveu a experiência Jesus Cristo mais do que ela.
Muitos títulos de honra a Igreja deu à Maria, e nos cabe procurar entendê-los corretamente. Infelizmente, aqui entramos nos exageros dos que parecem querer elevar a Mãe de Deus mais alto que o próprio Deus. - Mais alto do que, com certeza, ela mesma deseja ser elevada. Estes estão no  lado oposto daqueles que a desrespeitam.
Uns, na ânsia de anunciar as virtudes da Mãe, por vezes acabam exagerando; outros, no zelo de defender o papel único do Filho de Deus, acabam desprezando o maravilhoso legado da desde sempre amada Mãe da Igreja.
A Igreja sabe o que é o Reino de Deus, quem é Jesus e quem é Maria, e nós precisamos aprender essas coisas. Devemos aprender a amar Maria com uma devoção pura e autêntica; falar muito com Jesus e com o Pai, pedir sempre a luz do Espírito Santo no que dizemos e no que fazemos. Se vier o desejo de falar com nossa Mãe do Céu, devemos fazê-lo sabendo que falar com Jesus é falar com Deus, e que falar com Maria é falar com um ser humano muito especial que está no Céu com Deus.
Nunca a Igreja ensinou que Maria é uma ‘deusa’, como acusam alguns dos nossos irmãos "evangélicos". O Catecismo da Igreja Católica (CIC) deixa muito claro que é sempre o Deus Uno e Trino quem concede as graças. Nossa mãe pede por nós, junto a Deus. Jesus concede porque é nosso Intercessor junto ao Pai, e porque todo o poder lhe foi dado no Céu e na Terra. Maria consegue orando, pedindo. Se tantos padres e pastores conseguem graças e bençãos orando a Jesus, quanto mais ela, a Virgem Maria, que foi e continua sendo muito mais santa, mais unida a Jesus e mais pura e salva do que qualquer um de nós?
Nossa Senhora é uma só: Maria, Mãe de Jesus. Mas ela recebeu diversos títulos e representações ao redor do mundo, como esta, feita na China: cada nação procurou retratá-la à sua maneira.
Nós levamos o Senhor na mente e no coração: Maria, além disso, o carregou no ventre: a Carne de Jesus Cristo, Deus encarnado, era a mesma carne de Maria. O sangue que fluía em Maria era o mesmo Sangue salvador que fluía em Jesus, e que foi derramado pela salvação da humanidade. Já parou para pensar nisso? Maria cuidou e protegeu Nosso Senhor desde quando Ele, por amor a nós, se fez um bebê indefeso. Que grande absurdo é querer "defender" Jesus tentando diminuir Maria!
Equilíbrio: é tudo de que precisamos para honrar e venerar Maria do jeito certo. É verdade que alguns católicos se equivocam neste assunto. Quantas vezes vemos pessoas prostradas diante das imagens de Maria nas igrejas, louvando e pedindo bençãos, mas... Que pena, logo depois passam reto diante do Altar e do Santíssimo Sacramento, onde se encontra Jesus Cristo em Corpo, Alma e Divindade! Muitos gostam de repetir que “se Jesus não estiver atendendo, é só pedir à Mãe que ela atende”. E também ouvimos afirmações como: “Tudo com Jesus, nada sem Maria!” – São frases de uma infelicidade total. Cristo é Deus, Alfa e Ômega, Principio e Fim de todas as coisas. Quem o tem, tem tudo. Para quem está nele, não existem condições. Maria, Mãe bendita, vive nele, para sempre. Assim também, quando desejamos “a Paz de Cristo”, por exemplo, é desnecessário completar com “...e o amor de Maria”. O amor que vem de Jesus e de Maria são o mesmo e um só: expressão máxima e perfeita do Amor Divino no mundo, e que provém dele, o Autor da Vida e Deus de Amor.
E foi a este mesmo Amor que Maria se entregou, de corpo e alma; foi deste Amor que ela se fez serva, para se tornar "Nossa Senhora" para sempre. Se existem exageros ao se falar de Nossa Senhora, e isso leva alguns irmãos de outras comunidades cristãs a nos acusar de idolatria, devemos saber que, dentro da verdadeira Fé, nada nos desvia da verdadeira Comunhão dos santos e nem da companhia e proteção de nossa bem amada e sempre Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e de todos nós; exemplo incomparável de santidade sempre ao nosso lado no percurso do Caminho.

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Ref.:
OLIVEIRA, José Fernandes. Maria do Jeito Certo, São Paulo: Paulinas, 2008.
ofielcatolbl.com

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PORQUE IR A SANTA MISSA AO MENOS AOS DOMINGOS






QUANDO, NO CAIR DA TARDE de um domingo, as vias de acesso a uma de nossas grandes cidades congestionam-se com milhares de carros que retornam de um fim de semana no litoral ou no campo, uma pergunta me ocorre, e já nasce triste no meu coração: quantos desses homens e mulheres,sejam maduros, jovens ou crianças, terão ido à Missa, hoje ou ontem à tarde?
E a tristeza se acentua quando vou ao shopping e vejo a imensidão de pessoas que se entregam com tanta voracidade ao consumismo desenfreado. São grandes filas para comer um sanduíche numa lanchonete, para entrar nas salas de cinema, e/ou para aproveitar alguma liquidação na loja da moda...
Também me surpreendo quando passeio por certos pontos da cidade e vejo as enormes filas que dão voltas nos quarteirões, milhares e milhares de pessoas à espera da sua vez para entrar num estádio de futebol: multidões que parecem pensar que o destino do Universo depende unicamente das peripécias de uma bola e da emoção de um gol... Claro que eu não condeno o lazer ou o prazer de um bom passeio, nem sou contra quem vai assistir a um bom filme no cinema, e muito menos poderia ser contra o esporte ou a prática de atividades esportivas. Tudo isso pode ser muito bom e muito saudável. Mas... quantas dessas pessoas, que superlotam os parques e shoppings, terão se lembrado de Deus nas suas horas de folga e de lazer?

Quantos, no dia seguinte, voltarão ao trabalho realmente refeitos, não só de corpo como também de alma? Quantos destes poderiam se enquadrar na famosa frase de Santo Agostinho: “Meu coração está inquieto,e não descansará enquanto não repousar somente em Ti”?

Perdeu-se a noção da dignidade e da importância diferenciada do domingo, como o momento insubstituível de culto ao Divino, e também de descanso espiritual, tanto para o indivíduo quanto para a família. Em nossas consciências está se esvaziando do seu real conteúdo o Dia do Senhor. E com esse esvaziamento compromete-se um importantíssimo valor cristão.

Essa é a origem etimológica da palavra domingo: Dies Domini. Não está em jogo aqui uma questão desnecessária, de menor importância. A participação atenta, profunda e proveitosa na Santa Missa é uma condição indispensável para a autêntica vida cristã! Assim o lembrou o Papa João Paulo II: “Tomem a sério o convite que a Igreja lhes dirige, com caráter obrigatório, para participar todos os domingos da Santa Missa”...

Que todo domingo seja configurado por essa nossa Fonte de Energia, como dia consagrado ao Senhor. A Ele pertence nossa vida, e somente a Ele se deve a nossa adoração. Todo domingo é uma maravilhosa oportunidade que nos é dada, de beber dessa Fonte, nesse processo de “recarregar baterias” espirituais no dia consagrado ao Senhor. Um momento para refazer as forças do corpo e do espírito, mudando as nossas atividades habituais, deixando a rotina (muitas vezes massacrante) de lado.


Desculpas para o não cumprimento do preceito dominical

Já ouvi dizer que o comparecimento à Missa pode atrapalhar a necessidade de descanso, lazer e/ou integração social. Colocam-se à frente de Deus: a festinha de aniversário, o churrasco, o futebol, o lazer, as atividades sociais... Alguém que realmente pensa assim simplesmente não compreende que as duas coisas, Missa e descanso, não são opostas, mas devem se completar!

O passeio, o esporte, o lazer e o repouso são oportunidades para o ser humano serenar corpo e espírito, e se colocar, assim, em condições ideais para entrar em Comunhão com o Criador. E ir à santa Missa, colher os frutos maravilhosos que só a Celebração Eucarística e a Comunhão com Deus pode nos oferecer.

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Fonte:
CINTRA, Luiz Fernando. Por que ir à Missa aos Domingos? São Paulo: Quadrante, 1989, pp. 3, 4.

terça-feira, 10 de maio de 2016

O grandioso Milagre Eucarístico de Lanciano






O QUE CHAMAMOS "MILAGRE" é um Sinal especialíssimo do Poder Divino à humanidade ou a um indivíduo em particular, que se caracteriza por ser “superior, diferente ou contrário à natureza”1, e que é visível e/ou passível de análise mediante os cinco sentidos físicos do seres humanos.

Algumas orientações religiosas (como é o caso, por exemplo, do espiritismo) afirmam que os milagres não existem; entendem que Deus não quebraria as regras que Ele próprio estabeleceu para a sua Criação. Já a Igreja Católica entende que seria muita pretensão de nossa parte querer determinar o que Deus deve ou não fazer. Se cremos numa Força Suprema, que criou e rege o Universo, havemos também de nos reconhecer incapazes de compreender os Desígnios divinos, ao menos em sua totalidade. A Igreja crê que só faz sentido crer em Deus como o Criador que age e se revela na História: o Deus Vivo, que se faz conhecer também através de eventos históricos.

A Parapsicologia chama de fenômeno supranormal àquilo que popularmente se conhece como milagre. É importante saber, no entanto, a diferença entre o supranormal e as ocorrências ditas paranormais ou extra-sensoriais. Dentro da pesquisa autêntica e científica da Parapsicologia, o fenômeno supranormal se reconhece basicamente por três pontos:

1. Pelo fato, em si mesmo superior à natureza;

2. Pelo modo, diferente dos modos da natureza;

3. Por quem ou o quê o faz. Assim, fenômenos provocados pelos seres humanos, mesmo que sejam impressionantes ou inexplicáveis, não são fenômenos supranormais, isto é, não são milagres.2

Neste artigo, vamos conhecer aquele que muitos, incluindo inúmeros médicos e homens de ciência, consideram o maior fenômeno supranormal da História: um dos maiores milagres de todos os tempos.

Este grandioso milagre teve o seu início por volta do ano 780 dC, na cidade italiana de Lanciano (‘Anxanum dos Frentamos), onde viviam os monges de São Basílio, no Mosteiro de São Legoziano. Torna-se entretanto ainda muitíssimo mais espantoso porque é um fenômeno que continua ocorrendo até os nossos dias(!) tendo mais de 12 séculos de existência, portanto.

Segundo os dados históricos, havia entre os monges um que se destacava mais pelo intelecto e aptidão para os estudos seculares do que pela determinação religiosa. Sofria com uma dificuldade terrível: em seu íntimo, duvidava que o pão e o vinho se tornassem verdadeiramente Corpo e Sangue de Cristo na Santa Missa, no momento da Consagração, como afirmam as sagradas Escrituras e a Tradição Cristã Católica.

Tal padre era, porém, um cristão fiel, e permanecia orando continuamente para superar o incômodo espinho em sua mente. Como sacerdote, evidentemente, não podia conviver com a dúvida sobre um dos pontos mais fundamentais da sua fé. Esta situação persistiu por um considerável período de tempo, até que, certa manhã, ao celebrar a santa Missa, após proferir as palavras da Consagração, ele viu a Hóstia converter-se em Carne Viva, e o Vinho em Sangue Vivo!

Sentiu-se, como podemos imaginar, extremamente confuso e dominado pelo temor; todavia logo depois foi transportado para um estado de êxtase, no qual permaneceu por um longo momento. Por fim, em meio à transbordante alegria, rosto banhado em lágrimas, voltou-se para os presentes, que nada entendiam, e exclamou: “Oh, testemunhas afortunadas, a quem o Santíssimo Deus, para destruir a minha falta de fé, quis revelar-se a Si mesmo neste Santíssimo Sacramento, fazendo-se visível diante dos nossos olhos! Venham irmãos, venham todos e maravilhem-se com o nosso Deus, tão próximo de nós! Venham contemplar a Carne e o Sangue de nosso amado Cristo!”.

Os fiéis, estupefatos, aproximaram-se do Altar. Uns foram às lágrimas, outros caíram de joelhos: havia Carne viva no lugar da hóstia; Sangue em vez de vinho!

A Hóstia-Carne apresentava, como hoje ainda se pode observar, coloração ligeiramente escura; rósea quando iluminada pelo lado oposto, e aparência fibrosa; o Sangue era espesso, hoje encontra-se coagulado, em nódulos.

A notícia logo se espalhou na pequena cidade, transformando o monge numa espécie de “novo S. Tomé”. Serenadas as emoções, as relíquias foram guardadas num tabernáculo de marfim especialmente construído. A partir do ano de 1713, a Carne vem sendo conservada numa custódia de prata, e o Sangue num cálice de cristal, onde permanecem até hoje.

Até aqui, os céticos poderiam dizer que se trata de uma história criada pela devoção popular. Tudo não passaria de uma "piedosa" fraude, inventada para aumentar a fé do povo. Mas o Milagre de Lanciano é infinitamente mais do que uma alegação sem provas. No decorrer dos tempos, os ataques dos ateus seriam, um a um, derrubados pelas comprovações científicas procuradas pela própria Igreja.

Ocorre que o Vaticano adota uma postura muito rígida para com as alegações de milagres, e nesse caso não foi diferente. As relíquias já vinham sendo mantidas como objetos de veneração há séculos, mas a Igreja não se pronunciou oficialmente antes de uma confirmação científica. É exatamente o que torna este caso em particular tão especial.

Em novembro de 1970, os Frades Menores Conventuais, que guardam a igreja do Milagre (denominada 'São Francisco' desde 1252), autorizados, confiaram a médico renomado e de idoneidade moral reconhecida a análise científica das relíquias, que foi realizada por meio de minuciosas e rigorosas provas de laboratório. Foi convidado o Dr. Odoardo Linoli, chefe de serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e docente de anatomia e histologia patológica e de química e microscopia clínica, e o professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena, que o auxiliou.

Procederam-se os exames. A-pós meses de trabalho, em 4 de março de 1971, foi publicado o relatório contendo os resultados das análises, que foram os seguintes:

a. A Carne é carne verdadeira.

b. O sangue é sangue verdadeiro.

c. A carne é parte tecido muscular do coração (miocárdio, endocárdio e nervo vago).

d. A carne e o sangue são do mesmo tipo sanguíneo (AB), e pertencem à espécie humana.

e. No sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes materiais: cloretos, fósforos, magnésio, potássio, sódio e cálcio.

f. A conservação da carne e do sangue, deixados em estado natural por 12 séculos e expostos à ação de agentes atmosféricos e biológicos, permanece como fenômeno extraordinário.

A partir daí, o Milagre Eucarístico já não se restringia mais a uma questão de fé: estava cientifica e clinicamente comprovado. Mas a história não acaba aí: novas investigações laboratoriais foram realizadas em 1981. Mais uma vez, o trabalho foi realizado com absoluto rigor científico e documental, desta vez incluindo a análise microfotográfica. Os resultados foram os seguintes:

1. A carne analisada é carne verdadeira. O sangue é sangue verdadeiro;

2. A carne e o sangue pertencem à espécie humana;

3. A carne pertence ao coração, em sua estrutura essencial;

4. Na carne estão presentes, em seções: miocárdio, endocárdio, nervo vago e ventrículo cardíaco esquerdo;

5. A carne e o sangue pertencem ao mesmo grupo sanguíneo: AB (o sangue tipo AB é característico do povo judeu e é o mesmo tipo encontrado no ‘Santo’ Sudário de Turim);

6. No sangue foram encontradas as proteínas normalmente existentes, nas proporções percentuais idênticas, às encontradas no sangue normal fresco, como se retirados de um ser humano ainda vivo(!);

7. No sangue foram encontrados também os sais minerais em proporções idênticas àquelas de um ser humano vivo normal: cloro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio.

8. A conservação da carne e do sangue, deixados em estado natural durante doze séculos e expostos aos agentes físicos, atmosféricos e biológicos, constitui fenômeno extraordinário (extrapola os limites do comum, do ordinário).



Mais acima, o relicário contendo o milagroso Fragmento de carne logo acima do cálice com os coágulos de sangue; mais abaixo, em close, o milagroso Fragmento de Carne humana identificado clinicamente como Tecido cardíaco


Detalhes que merecem destaque

* Segundo os resultados das análises, os materiais são de uma pessoa viva, como se retirados de um ser humano vivendo atualmente! As características bioquímicas do Sangue são as que se esperaria de material colhido naquele mesmo instante, de um ser humano vivo!

** A Carne que lá está é do coração, o músculo que propulsiona o sangue, – portanto a vida, – ao corpo inteiro, e que é também o símbolo do amor. Lembremo-nos que Nosso Senhor manifestou-se com seu Sagrado Coração exposto a Santa Margarida Maria Alacoque.

*** O Sangue, hoje, está em forma de cinco coágulos. Apesar de serem diferentes em tamanho e forma, todos apresentam exatamente o mesmo peso! Mais: pesando-se todos os coágulos juntos se obtêm, igualmente, exatamente o mesmo peso! Em outras palavras, o peso de cada um dos coágulos é igual, e é também o mesmo peso de todos juntos! Este fato, por si só, representa um outro milagre dentro do grande milagre!

Um caso como este não pode ser explicado como ação do “poder da mente”, sugestão ou fenômeno meramente paranormal. A própria parapsicologia classifica o Milagre Eucarístico de Lanciano como fenômeno supranormal, e a ciência o atesta como “fenômeno extraordinário”, isto é, que extrapola os limites do ordinário, do comum. Não existe sequer esboço de explicação científica natural para este caso, que não se trata de um fenômeno ocorrido numa data determinada, mas um Milagre Permanente: ocorreu há cerca de 1.300 anos e continua ocorrendo até hoje, na preservação inexplicável dos Materiais.

‘Comei e bebei todos vós, isto é o meu Corpo que é dado por vós’. Mais do que uma simples simbologia, como possa parecer, este é o Sinal Divino de que no Sacramento da Comunhão está o Alimento da nossa esperança nas Promessas de Cristo...
(Santo Tomás de Aquino)

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Notas:

1. Definição clássica de Sto. Tomás de Aquino, em QUEVEDO, Oscar G. Os Milagres e a Ciência, 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2000, p. 11-27.

2. QUEVEDO, Oscar G. Os Milagres e a Ciência, São Paulo: Loyola, 1998.

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Fontes e ref. bigliográfica:

• DEGRANDIS, Robert, A Cura pela Missa, 29ª ed. São Paulo: Loyola, 2006, p. 130.

• QUEVEDO, Oscar G. Os Milagres e a Ciência, parte 1 / 'O cientista prescruta a natureza', São Paulo: Loyola, 1998, pp. 11-46.

• MOREIRA, Francisco Adail Martins. Festas Litúrgicas de Jesus e Maria, São Paulo:
Loyola, 2003, pp. 106,107.

• NASINI, Gino. O Milagre e os Milagres Eucarísticos. São Paulo: Loyola / Palavra
& Prece, 2011, pp. 166-167.

• AQUINO, Felipe. Eucaristia. São Paulo: Canção Nova, 2007, pp.110, 111.
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

A DIFERENÇA ENTRE CATÓLICOS ORRTODOXOS E ORIENTAIS

 
 
 
 
 
 
 
DE TEMPOS EM TEMPOS, surge algum leitor que nos propõe esta pergunta. Entendemos, então, que chega o momento de respondê-la: em síntese, são treze as diferenças doutrinárias e disciplinares que distanciam os ortodoxos orientais da Igreja Católica.

É interessante notar que a maioria daqueles que de modo superficial simpatizam com a rica tradição ortodoxa oriental acabam por entender que ela perde, por assim dizer, o "encanto" quando conhecida a fundo e vista bem de perto. Apesar do grande respeito que temos por estes nossos queridos irmãos cismáticos, não temos como negar que boa parte dos argumentos que eles utilizam para justificar os desacordos entre eles e nós, como veremos, são flagrantemente desprovidos de qualquer fundamento.

Os ortodoxos não aceitam: 1) o primado e 2) a infalibilidade do Papa; 3) a Processão do Espírito Santo a partir do Filho; 4) o Purgatório póstumo; 5) os dogmas da Imaculada Conceição e 6) da Assunção de Maria Santíssima (apenas enquanto dogmas); 7) o Batismo por infusão e não por imersão; 8) a falta da Epiclese na Liturgia Eucarística; 9) o pão ázimo (sem fermento) na Celebração Eucarística; 10) a Comunhão Eucarística sob a espécie do pão apenas; 11) o Sacramento da Unção dos Enfermos como é ministrado no Ocidente; 12) a indissolubilidade do Matrimônio; 13) o celibato do clero.

Seja observado, logo de início, que em geral os orientais têm por ideal a volta da Igreja ao que ela era até o sétimo Concílio Geral (Nicéia II em 787), pois aceitam plenamente os Concílios de Nicéia I (325), Constantinopla I (381), Éfeso (431), Calcedônia (451), Constantinopla II (553), Constantinopla III (681), Nicéia II (787). O Concílio de Constantinopla IV, que excomungou o Patriarca Fócio em 869/870, evidentemente é rejeitado pelos orientais.

Como se pode ver, nem todos esses pontos diferenciais são da mesma importância. O que mais concorre para a manutenção do Cisma é o da fidelidade ao Papa como Pastor Supremo, assistido pelo Espírito Santo em matéria de fé e de Moral. A seguir, comentamos e procuramos esclarecer cada um destes pontos:

1. Primado do Papa

Alega a Teologia ortodoxa que a jurisdição universal e suprema do Papa implicaria que os outros bispos são subordinados a ele como nada além de seus representantes, o que eles consideram um desvio ou um erro. A esta concepção equivocada, porém, respondeu o Concílio do Vaticano II:

Aos Bispos é confiado plenamente o ofício pastoral ou o cuidado habitual e cotidiano das almas. E, porque gozam de um poder que lhes é próprio e com toda razão são antístites dos povos que eles governam, não devem ser considerados (meros) vigários (representantes) do Romano Pontífice.”
(Constituição Lumen Gentium 27)
Como demonstra muito facilmente a mais elementar noção do senso comum (entenda), não há nenhum sentido em se questionar o primado do Bispo de Roma, o Papa, que garante a unidade e a coesão da Igreja, preservando-a de iniciativas meramente pessoais e subjetivas. Exatamente por isso o discípulo Simão, e apenas ele, recebeu o nome-título de Pedra-Cefas (entenda).

2. Infalibilidade do Papa

Em 1870, fazendo eco à fé antiquíssima dos cristãos, o Concílio do Vaticano I declarou o Papa infalível quando fala em termos definitivos para a Igreja inteira e em matéria de fé de moral (entenda). – Já segundo a Teologia ortodoxa oriental, esta definição extinguiria a autoridade dos Concílios.
Evidente que tal contestação não em nenhuma razão de ser, pelo simples fato de que o Papa não pode "decidir" nada contrário àquilo que foi definido dogmaticamente em qualquer Concílio da Igreja. Já no tempo dos Apóstolos ocorreu o primeiro Concílio, em Jerusalém1. Segundo a Igreja Católica, então, os Concílios gerais ou universais têm plena razão de ser, já que também o Papa participa deles (por si ou por seus delegados) e aprova as suas conclusões. Nos nossos dias, mais e mais se têm insistido sobre a colegialidade dos Bispos.

3. A procedência do Espírito Santo a partir do Filho (Filioque)

Esta é possivelmente a mais conhecida discordância entre católicos e ortodoxos e que, mais uma vez, não tem nenhuma razão de ser a não ser a pura incompreensão e a inflexibilidade para o diálogo aberto e fraterno, como era a característica de um determinado período histórico. A concepção da Igreja Católica decorre do fato de que em Deus não há distinções, a não ser onde haja oposição relativa, como no caso do Filho que possui Natureza humana, sedo que o mesmo não se pode afirmar do Pai e do Espírito Santo. Entretanto, não podemos jamais nos esquecer de que não somos politeístas: cremos e adoramos apenas um Deus, que se manifesta a nós em Três Pessoas diferentes, mas não separadas2.

Se, portanto, entre o Filho e o Espírito Santo não há a separação de Espirante e Espirado, um não se distingue do outro ou, em outras palavras, o Filho e o Espírito Santo são um só em Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo, no Evangelho segundo S. João (15, 26) afirma textualmente que o Espírito procede do Pai; claramente, porém, não tenciona propor aí uma Teologia sistemática e exclusiva, mas põe em relevo um aspecto da verdade, – assim como em tantas e tantas outras ocasiões, – sujeito a ser completado pela reflexão.
De fato, no caso desta questão, a dificuldade é mais de linguagem do que de doutrina. Tanto assim que os orientais preferem dizer que o Espírito Santo procede do Pai "através do Filho", – o que claramente é apenas uma maneira diferente de dizer praticamente a mesma coisa ou, no mínimo, algo muito parecido. Torna-se evidente que, com um pouco de boa vontade, poderia-se facilmente conciliar as posições.

4. Purgatório

Este é um caso curioso e que (infelizmente precisamos dizer) evidentemente depõe contra a boa vontade dos teólogos orientais. Ocorre que os ortodoxos do Oriente aceitaram a existência do Purgatório sem nenhuma dificuldade até o século XIII. Foi somente no ano 1231 ou 1232 que o metropolita Georges Bardanes, de Corfu, pôs-se a impugnar a doutrina bíblica e apostólica do fogo do Purgatório (entenda), apenas porque não haveria, literalmente, fogo no Purgatório(!).

Os teólogos orientais subsequentes lamentavelmente vieram a apoiar a contestação de G. Bardanes, mas nem por isso ousaram negaram a realidade (como dissemos antes, plenamente bíblica e plenamente fundamentada na Tradição apostólica) da necessidade de um estado de purificação intermediário entre a vida terrestre e a bem-aventurança celeste para as almas daqueles que morrem com resquícios de pecado: estes seriam perdoados por Deus em vista da oração da Igreja; estariam assim fundamentados os sufrágios pelos defuntos.
A recusa do Purgatório, então, só ocorreu entre os orientais, absurdamente, no século XVII(!) e sob a influência de autores protestantes(!!). Ora, admitir uma doutrina que teria, então, estado errada por dezessete séculos, não é o mesmo que admitir a sua fragilidade também depois da mudança?

Por fim, o fato histórico é que daí por diante a Teologia oriental tornou-se em parte dividida; muitos teólogos ortodoxos continuam admitindo a necessidade de um estado intermediário entre a morte e a bem-aventurança celeste, assim como também reconhecem o valor dos sufrágios pelos defuntos. Eis aí mais um fato histórico e teológico que só vem a confirmar para todo o povo cristão a exclusividade da Igreja Católica no papel de única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo e mantida pelo Espírito Santo.

5. A Imaculada Conceição de Maria

Esta, incrivelmente, é por vezes confundida com um pretenso nascimento virginal de Maria (segundo tal confusão absurda, Santa Ana teria concebido sem a colaboração de São Joaquim!). Assim, simplesmente porque tal concepção virginal carece de qualquer fundamento (evidente, e nunca foi parte da Teologia católica!), também a verdadeira doutrina da Imaculada Conceição é em algum nível contestada pelos orientais, embora não seja negada por eles.

Contraditoriamente, porém, toda a literatura, a Liturgia e as mais tradicionais devoções dos ortodoxos enaltecem grandemente e com insistência (provavelmente até maior do que o fazem as obras clássicas católicas) a pureza plena e absoluta da Virgem Maria, professando a mesma coisa que nós, católicos, de modo implícito. Concretamente, a única diferença real é que eles não formularam nem definiram um dogma de fé específico a respeito desta realidade, que na prática creem de modo idêntico ao nosso, – e isto é algo bastante fácil de se confirmar, bastando que se observe a arte sacra oriental, eivada do princípio ao fim de belos e múltiplos ícones em honra à santidade incomparável de Maria Santíssima.

6. A Assunção de Maria Santíssima

Este ponto, juntamente com o anterior, é de surpreender o leigo, pois como já dissemos a devoção dos ortodoxos por Nossa Senhora é evidente e profundíssima, tanto que á primeira vista dá a impressão de ser tão grande quanto a católica ou até mesmo maior, em certas cerimônias, usos e costumes.

Crida pelos cristãos desde a Antiguidade, foi proclamado este dogma de fé pela Igreja Católica em 1950, pelo Papa Pio XII, de acordo com as tradições teológicas ocidental e oriental. Merece especial atenção, novamente, a iconografia oriental, que representa de maneira muito expressiva a Virgem sendo assunta aos Céus por seu Divino Filho (daí a diferença entre os termos 'Ascensão do Senhor' e 'Assunção de Maria': ela, elevada por Ele, que é Deus e se eleva por seu próprio Poder Divino).

Qual é, então, o problema? De fato, o que fere os orientais neste caso, – assim como no caso da Imaculada Conceição, – não é a proclamação da Assunção em si, simplesmente porque eles também creem nisto; o problema está, apenas e tão somente, na promulgação do dogma, a qual eles consideram que não deveria ter ocorrido (até por não terem tomado parte em sua elaboração).

7. Batismo por infusão ou aspersão da água

Aqui está um problema difícil de compreender, não só pelos católicos como também pela maior parte dos próprios cristãos orientais, que discordam da estranha posição ortodoxa oriental. Dizem esses teólogos que é importante no Batismo o contato da água com o corpo inteiro da pessoa, simbolizando purificação.

Para nós, católicos, tanto os de rito romano quando de rito oriental, o Sacramento é um sinal que realiza o que significa; logo, a Água batismal significa e realiza a purificação da alma. Basta lembrar que os Apóstolos, nos primeiríssimos anos, quando saíram aos quatro cantos do mundo para levar o Evangelho, nas mais diversas situações nem sempre dispunham de rios ou de grandes volumes de água para imergir os batizandos que surgiam a todo instante. Foi este, aliás, o caso do próprio S. Paulo Apóstolo, sem dúvida o mais emblemático3.
8. Epiclese

Os orientais julgam essencial na Liturgia Eucarística a Invocação do Espírito Santo (Epiclese) antes das palavras da Consagração; ora, estas faltam no Cânon Romano (Oração Eucarística nº 1), pois os latinos julgam que a Consagração do pão e do vinho se faz pela repetição das palavras do Cristo, assim como Ele ordenou: “Isto é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue…”.

Assim, as Orações Eucarísticas compostas depois do Concílio VII (1962-65) têm a Epiclese não para corrigir uma pretensa "falha" anterior, mas para salvaguardar uma antiga Tradição.

9. Pão ázimo

Jesus, em sua última ceia, observou o ritual da Páscoa judaica, que prescrevia (como ainda prescreve) o uso do pão ázimo ou não fermentado. A Igreja Católica também guardou o costume, – que foi, assim, guardado pelo próprio Cristo, – na Celebração da Eucaristia. Está mais do que bem respaldada, como se vê.

Uma observação importante: o uso do pão fermentado não é excluído por nós, católicos, pois, em última análise, se trata sempre de pão.

10. A Comunhão Eucarística sob as espécies do pão apenas

Até o século XII, a Comunhão era ministrada sob as duas espécies, pão e vinho; o uso foi abolido em razão dos graves inconvenientes que gerava (profanação, sacrilégios…). Todavia, após o Concílio VII é permitido que se dê a Comunhão sob as duas espécies a grupos devidamente preparados.

11. Unção dos Enfermos

Baseados na Epístola de S. Tiago (5,14ss), os orientais ortodoxos têm a Unção dos Enfermos como Sacramento. Divergem, porém, dos ocidentais em dois pontos:
a) A Unção não é reservada aos gravemente enfermos nem tem a marca de preparação para a morte, mas, ao contrário, vem a ser um rito de cura para qualquer enfermo;
b) A Unção, no Oriente, tem forte caráter penitencial, a tal ponto que ela é conferida também aos pecadores, mesmo os sadios, a título de satisfação pelos pecados.
Pode-se dizer, portanto, que a Unção “dos Enfermos” nas comunidades orientais ortodoxas é dada a todos os fiéis que tenham algum problema de saúde corporal ou espiritual. Isto ocorre especialmente na Semana Santa e entre os russos.
Essas diferenças, bastante suaves e simples de contornar, infelizmente foram muito exploradas nos debates entre latinos e gregos. Os ocidentais reservam a Unção para os casos de moléstias graves ou sério perigo de vida (entenda a Unção dos Enfermos).

12. Divórcio

Baseados no Evangelho segundo S. Mateus (5,32 e 19, 9) mas indo contra ao que dizem os Evangelhos segundo S. Marcos (10, 11s) e S. Lucas (16,18), e a 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7,10ss), os ortodoxos reconhecem o divórcio.

A Igreja Católica, por coerência, não interpreta S. Mateus em sentido contrário a S. Marcos, S. Lucas e S. Paulo, o que seria absurdo; assim, não reconhece o divórcio de um Matrimônio sacramental validamente contraído e consumado, mas entende que em Mt 5 e 19 se trata da dissolução dos casamentos ilícitos, o que ela pratica até hoje (entenda).

13. Celibato do Clero

Segundo a compreensão desses nossos irmãos, seria esta uma restrição imposta nos séculos posteriores, contrária à decisão do primeiro Sínodo Ecumênico no ano 325. Há alguma verdade nisso?
O celibato do clero tem seu fundamento na 1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (7, 25-35), onde S. Paulo recomenda expressamente a vida una ou indivisa. Esta foi sendo praticada espontaneamente pelo clero até que, em aproximadamente 306, o Concílio regional de Elvira (Espanha) a sancionou para os eclesiásticos de grau superior. A legislação de Elvira foi-se propagando no Ocidente por obra de outros Concílios regionais.
Diferentemente, os orientais estipularam que, após a Ordenação, os clérigos de grau superior (do diaconato para cima) não poderiam contrair Matrimônio, mas eram autorizados a manter o uso do Matrimônio os que tivessem casado antes da ordenação. O Concílio de Niceia I (325) rejeitou a proposta segundo a qual o celibato no Oriente seria observado sem exceções, como no Ocidente; isto por protesto do Bispo egípcio Pafnúncio, o qual guardava pessoalmente o celibato. Os Bispos orientais são todos celibatários e, por isto, recrutados entre os monges.
† † †

Como se vê, no último item como em outros, muitas das diferenças são disciplinares e não impedem a volta à unidade entre cristãos orientais e ocidentais. Podem-se admitir o pão fermentado na Eucaristia, a Epiclese como regra, que parte do clero seja casada. Outros pontos podem ser discutidos com muita tranquilidade, e com alguma revisão de termos, chegar-se a um termo, como é o caso da procedência do Espírito Santo. O maior obstáculo permanece o do primado do Papa.
Paulo VI e João Paulo II demonstraram compreender bem o problema, que acreditavam (como a Igreja ainda crê) que pode ser resolvido satisfatoriamente sem que se abra mão dos pontos inegociáveis de nossa fé e doutrina. Escreveu S. João Paulo II em sua encíclica Ut Unum Sit ('Para que seja um'), a qual é muito recomendável que seja lida e compreendida por todos os católicos:

Entre todas as Igrejas e Comunidades Eclesiais, a Igreja Católica está consciente de ter conservado o Ministério do sucessor do Apóstolo Pedro, o Bispo de Roma, que Deus constituiu como perpétuo e visível fundamento da unidade e que o Espírito ampara para que torne participantes deste bem essencial todos os outros.

Segundo a feliz expressão do Papa Gregório Magno, o meu Ministério é de Servus servorum Dei. Por outra parte, como pude afirmar por ocasião do Encontro do Conselho Mundial das Igrejas em genebra aos 12 de junho de 1984, a convicção da Igreja Católica de, na fidelidade à Tradição apostólica e à fé dos Padres, ter conservado, no Ministério do Bispo de Roma, o sinal visível e a garantia da unidade, constitui uma dificuldade para a maior parte dos outros cristãos, cuja memória está marcada por certas recordações dolorosas. Por quanto sejamos disso responsáveis, como o meu Predecessor Paulo VI, imploro perdão.

Com o poder e a autoridade sem os quais tal função seria ilusória, o Bispo de Roma deve assegurar a comunhão de todas as Igrejas. Por este título, ele é o primeiro entre os servidores da unidade. Tal primado é exercido em vários níveis, que concernem à vigilância sobre a transmissão da Palavra, a celebração sacramental e litúrgica, a missão, a disciplina e a vida cristã. Compete ao Sucessor de Pedro recordar as exigências do bem comum da Igreja, se alguém for tentado a esquecê-las em função dos interesses próprios. Tem o dever de advertir, admoestar e, por vezes, declarar inconciliável com a unidade da fé esta ou aquele opinião que se difunde. Quando as circunstâncias o exigirem, fala em nome de todos os Pastores em comunhão com ele. Pode ainda – em condições bem precisas, esclarecidas pelo Concílio do Vaticano I – declarar ex cathedra que uma doutrina pertence ao depósito da fé. Ao prestar este testemunho à verdade, ele serve à unidade

Dirigindo-me ao Patriarca Ecumênico Sua Santidade Dimitrios I, disse estar consciente de que, 'por razões muito diferentes, e contra a vontade de uns e outros, o que era um serviço pôde manifestar-se sob uma luz bastante diversa'. Mas é com o desejo de obedecer verdadeiramente à Vontade de Cristo que eu me reconheço chamado, como Bispo de Roma, a exercer este Ministério. (…) O Espírito Santo nos dê sua Luz e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este Ministério possa realizar um serviço de amor reconhecido por uns e por outros.

(Ut Unum Sit nºs 88/94-95, 25/5/1995)
Vemos que o Papa não abdica (nem poderia abdicar) do seu Ministério, que garante a unidade da Igreja, antes o afirma com todas as letras; mas pede que os teólogos proponham modalidades de exercício desse Ministério que satisfaçam a todos os cristãos (leia a Ut Unum Sit na íntegra).

Suplicamos, humildes, ao Espírito Santo que inspire os responsáveis para que realmente colaborem para a solução das dificuldades que os cristãos não católicos enfrentam no tocante ao primado do Papa!
_____
Notas:
1. Por volta do ano 48, apresenta-se em Antioquia o problema relativo à oportunidade da circuncisão para os não-judeus, quando cristãos provenientes da Judeia reclamam a 'liberdade adquirida em Cristo Jesus', que Paulo e Barnabé também invocam para não impor esse rito aos cristãos vindos do paganismo. A comunidade então interpelar os Apóstolos e os Anciãos de Jerusalém e lhes enviam Paulo e Barnabé, com seu companheiro grego Tito, acompanhados de uma delegação.
(N. do A., conf. Portal do Vaticano: Basilica San Paolo Fuori le Mura, disp. em:
vatican.va/various/basiliche/san_paolo/po/san_paolo/concilio.htm
Acesso 26/4/016)


2. 'As Pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não dividir a Unidade divina, a distinção real das Pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras: nos nomes relativos das Pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo aos dois; quando se fala destas três Pessoas, considerando as relações, crê-se todavia em uma só Natureza ou Substância. Pois tudo é uno n'Eles, onde não se encontra a oposição de relação. Por causa desta Unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho'.
(CIC §255)

3. O Batismo por aspersão (com a água aplicada geralmente sobre a cabeça) é explicitamente descrito  nas Sagradas Escrituras como prática comum da Igreja (ainda que não exclusiva) desde os primeiríssimos tempos. No caso do Apóstolo Paulo, ainda chamado Saulo quando partiu para Damasco em perseguição à Igreja (At 9,1-2), após a sua maravilhosa conversão mediante a visão do Senhor, foi recebido em casa de um Judas (onde permaneceu, cego e em jejum absoluto, por três dias) e ali mesmo foi batizado por Ananias, dentro de um quarto e em pé: 'Imediatamente, lhe caíram dos olhos como que escamas, e tornou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizadoDepois tomou alimento e sentiu-se fortalecido.' (At 9,18-19). Na expressão no original em grego koiné,ANASTAS EBAPTISQH (anastas ebaptisthê), o particípio 'anastas' indica uma ação imediata entre o levantar e ser batizado. Havia certamente água no quarto porque já era prática judaica aspergirem-se frequentemente em diversas situações.
• Além deste caso, o mesmo Livro dos Atos menciona carcereiro de Filipo, que foi igualmente batizado 'imediatamente' em sua casa, juntamente com 'toda a sua família' (At 16, 33), em sua residência, logo após lavar as chagas de Paulo e Silas, sem nenhuma menção a rio, piscina ou grande tanque.
• O segundo capítulo do Livro dos Atos ainda menciona que 'mais ou menos três mil' foram batizados em Jerusalém. Note-se que não havia rio ou água corrente dentro da cidade que permitiria a imersão
de milhares de pessoas naquela ocasião. 

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Ref.:
BETTENCOURT, Estevão, osb, revista 'Pergunte e responderemos' nº 480, 2002, pp. 200ss
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sexta-feira, 6 de maio de 2016

CRISTÃO PODE FAZER TATUAGEM ?



A Bíblia Sagrada não menciona, direta ou literalmente, a questão das tatuagens, mas algumas passagens estão relacionadas ao tema. Vejamos o que a Escritura tem a dizer:

"Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o SENHOR." (Lv 19,28)

Pelo contexto do texto do Levítico (e também de Deuteronômio 14,1-2) vemos que as marcas no corpo tinham relação com os rituais pagãos que envolviam a necromancia (consulta aos mortos; o mesmo que hoje é chamado de 'mediunidade'). As marcas no corpo faziam parte da vinculação da pessoa à crença nos deuses e na prática dos seus rituais pagãos, e os simbolizavam.

Já o dragão, um dos temas preferidos para as "tattoos" atuais, no contexto bíblico, representa o demônio. Porém, mais importante do que saber aquilo que a Bíblia diz literalmente, é entender que não é recomendável que um cristão marque seu corpo para o resto da vida com tatuagens, pois o seu corpo é Templo do Espírito Santo, como diz São Paulo Apóstolo em sua primeira carta aos coríntios:

"Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom Preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." (1Cor 6,19,20)
Como cristãos, devemos buscar e nos identificar com Jesus e seguir o seu exemplo, e não com os modismos do mundo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam" (1Cor 10,23).
"Rogo-vos, pois, irmãos, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos adapteis a este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12,1,2)

 Hoje em dia parece que todo mundo está se tatuando, e já faz algum tempo que tatuagem deixou de ser um gesto de rebeldia ou algo que diferencia a pessoa. Pelo contrário, agora, quem quer ser igual aos outros é que corre logo a se tatuar.

Não aconselhamos ninguém a se tatuar, mas é claro que nós não devemos considerar uma pessoa tatuada como pecadora, nem julgar alguém por conta de sua(s) tatuagem(ns). Ninguém deve deixar de se aproximar de Deus por ser ou não tatuado. Deus é Pai Misericordioso.









quarta-feira, 4 de maio de 2016

DOGMAS DA IGREJA - VIII





37 – A Morte e sua origem

A morte é consequência do pecado primitivo. O relato bíblico da Queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais, trazendo como consequência a morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6,23).


38 – O Céu (Paraíso)

As almas dos justos, que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado, entram no Céu.

39 – O Inferno

As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno.

 
40 – O Purgatório

As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao Purgatório. O Purgatório é estado de purificação.


41 – O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo

No fim do mundo, Cristo, rodeado de Majestade, virá de novo para julgar os homens.

 
42 – A Ressurreição dos Mortos no Último Dia

Aos que creem em Jesus e se alimentam de seu Corpo e bebem de seu Sangue, Ele lhes promete a ressurreição para vida eterna de Paz e Plenitude.

 
43 – O Juízo Universal

O Cristo, Senhor e Salvador, depois de seu Retorno, julgará a todos os homens.



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1. Os argumentos da Causa Primeira ou Primeira Causa resultam das nossas observações quotidianas das maneiras pelas quais as coisas ou acontecimentos da vida de todos os dias parecem ser causados para ser ou para ocorrer. Observamos, por exemplo, que pôr açúcar na chávena do café causa a doçura do seu gosto, que pôr água na planta causa o seu crescimento e que riscar um fósforo na presença de oxigênio o faz arder. No entanto, é impossível explicar a existência de tudo em termos de causa e efeito, porque isso significaria que deveria haver uma série sem fim de causas, o que concretamente se mostra lógica e racionalmente impossível. 
Assim:
a) Na vida de todos os dias, descobrimos que tanto os objetos como os acontecimentos são causados por outros (tal como o crescimento das plantas é provocado pela absorção de nutrientes).
b) Uma série infinita de causas desse tipo, porém, é impossível porque então não haveria uma primeira causa, e, portanto, não poderia haver uma segunda, terceira, etc.
c) Logo, deve haver (é preciso que haja) uma primeira causa: Deus. – MCGRATH, Alister E. Fundamentos do Diálogo Entre Ciência e Religião, São Paulo: Loyola, 2005, pp. 124-125.

2. Uma vez feita a distinção entre coisas que têm causas e coisas que não têm causas, se alguma coisa existe, ou será o tipo de coisa que requer algo fora de si mesma para existir, ou o tipo de coisa que não o requer. Se não é possível haver uma regressão infinita de coisas que requerem causas fora de si [e se é verdade que há alguma coisa que requer causa fora de si: o universo e tudo o que nele existe], então não pode haver uma regressão infinita de tais causas, e, portanto, você tem que ter um término dessa regressão [Deus é a melhor explicação para o término dessa regressão]. – PURTILL Richard. Contemporary Philosophy of Religion. New Jersey: Blackwell, 2001, pp. 358-359.
 
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Referência e bibliografia:

• BOURGEOIS, Henry. História dos Dogmas 3 - Os sinais da salvação, Vol.s 1,2,3. São Paulo: Loyola, 2005.

• VIDIGAL, Pe. José Raimundo. Catecismo do Católico de Hoje. Aparecida: Santuário.

• Catecismo da Igreja Católica (CIC),§88 a §93 e §889 a §891.

 MIRAVALLE, Mark. Introduction to Mary, Goleta: Queenship Publishing, 1993, 
pp. 56-64
• BROWN, Raymond Edward. Mary in the New Testament, Philadelphia: Fortress Press, 1978, p. 273.
• Verbete "Definição dogmática", da Enciclopédia Católica